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Por John Emilio Garcia Tatton

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11- DDT e outras toxinas ambientais são associadas a Alzheimer - BBC


Além de fatores genéticos, toxinas e poluentes podem aumentar o risco da doença

Por Annie Sneed
A doença de Alzheimer atualmente é a sexta maior causa de morte nos Estados Unidos, mas pesquisadores ainda não sabem o que provoca esse transtorno neurológico degenerativo. Nos últimos anos eles localizaram vários genes que parecem ter sua parcela de responsabilidade pelos casos em que o transtorno se desenvolve cedo, antes dos 60 anos. Eles também identificaram cerca de 20 genes que podem aumentar ou diminuir o risco de desenvolvimento da variedade de início tardio, que começa a aparecer em pessoas com mais de 60 anos.

Mas a genética simplesmente não consegue explicar os mais de cinco milhões de norte-americanos com Alzherimer de início tardio. Ainda que a genética contribua com algum risco de desenvolver essa versão do transtorno, nenhuma combinação de genes leva inevitavelmente à doença.

Cientistas procuram com urgência os elementos que faltam para explicar o que provoca o Alzheimer de início tadio. Alguns pesquisadores mudaram seu foco: dos genes, para o ambiente – especialmente para algumas toxinas. Seus estudos de pesticidas, aditivos alimentares, poluição do ar e outros compostos problemáticos estão abrindo uma nova frente na batalha contra essa doença devastadora. Aqui vai um resumo de algumas das possibilidades que estão sendo estudadas:

DDT (diclorodifeniltricloretano)

Cientistas já encontraram uma possível ligação entre pesticidas e a doença de Parkinson. Agora, um estudo preliminar publicado em janeiro sugere que o pesticida DDT também pode contribuir para o Alzheimer. O DDT se degrada tão lentamente que continua no ambiente mais de 40 anos após a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos proibir seu uso nos Estados Unidos.

Jason Richardson e sua equipe da Rutgers University testaram amostras de sangue de pessoas com e sem Alzheimer de início tardio. Eles descobriram que a maior parte dos participantes com a doença tinha níveis de DDT e DDE (um metabólito do DDT) quatro vezes maiores que o grupo de controle.

Pesquisadores também observaram que pacientes com os casos mais severos de Alzheimer tinham tanto uma disposição genética quanto altos níveis de pesticida no sangue, indicando que o DDT/DDE pode interagir com genes para disparar a doença.

Richardson, no entanto, não conhece o mecanismo que leva a exposição ao DDT a provocar Alzheimer. Mas ele especula que o DDT/DDE de alguma forma estimula proteínas amiloides, que constituem as placas associadas à doença. Ele enfatizou que seu estudo é preliminar, e que seus resultados terão que ser reproduzidos por pesquisas futuras em escala maior.

Além disso, algumas das descobertas parecem contradizer a principal conclusão do estudo. “As pessoas que eu considero mais intrigantes são as que têm níveis realmente altos de DDT e DDE, mas que não têm Alzheimer”, observa Richardson, “Talvez nós tenhamos examinado essas pessoas muito cedo, e elas acabem desenvolvendo a doença. Ou, o que seria mais interessante, talvez sua composição genética ou estilo de vida os proteja da doença”.

Nitrosaminas

Outro possível culpado pelo Alzheimer vem da dieta moderna dos Estados Unidos. A pesquisadora Suzanne de la Monte, da Escola Médica Warren Alpert da Brown University, acredita que exista uma conexão entre o número cada vez maior de casos de Alzheimer e as quantidades cada vez maiores de compostos químicos baseados em nitrogênio adicionados aos nossos alimentos nas últimas décadas. Além de fertilizantes baseados em nitrogênio, eles incluem nitratos e nitritos, que são usados para preservar, colorir e dar sabor a alimentos processados (além daqueles adicionados a produtos de tabaco). Em ambientes ácidos, como o estômago, ou em temperaturas altas, como as atingidas no cozimento, esses compostos se transformam em nitrosaminas tóxicas.

O estudo de Suzanne mostrou que nitrosaminas prejudicam as mitocôndrias das células, que produzem energia, e bloqueiam receptores de insulina em ratos.

De acordo com a pesquisadora, esses dois fatores parecem provocar danos neurológicos e encorajar o desenvolvimento de doenças relativas à insulina, incluindo diabetes, além de doenças cardiovasculares e Alzheimer, em estudos animais.

Pesquisas com humanos também apontam a resistência à insulina como um fator de risco para o Alzheimer. “Todas as doenças que sofreram mudanças nos últimos 40 ou 50 anos são relacionadas à resistência a insulina e coincidem muito bem as alterações em nossos alimentos”, declara de la Monte. “E eu acho que as nitrosaminas têm um papel muito, muito grande [nisso tudo]”.

No momento ela está procurando um biomarcador que permita medir a exposição a nitrosamina em pessoas e verificar se os resultados de seu estudo se traduzem de animais para humanos. 

Poluição do ar

Pesquisadores do Alzheimer também começaram a examinar a poluição do ar. Soong Ho Kim relatou no periódico F1000Research que ratos rapidamente desenvolveram placas amiloides de Alzheimer após exposição a nanopartículas de níquel aerosol, um componente da poluição do ar.

Um estudo de 2004 da altamente poluída Cidade do México realizou autopsias no tecido cerebral de pessoas que moraram lá durante a vida inteira, e encontrou placas amiloides e inflamações espalhadas pelo cérebro dos indivíduos. Vários estudos também descobriram uma possível ligação entre demência e matéria particulada, um subproduto da combustão que já se sabe prejudicar o sistema cardiovascular.

A poluição do ar não existe apenas fora de casa. Na China, que tem a maior população consumidora de tabaco do mundo, o pesquisador Ruoling Chen, do King’s College London, estudou os efeitos da fumaça de cigarro em fumantes passivos sobre a saúde cognitiva do país.

Sua equipe de pesquisa avaliou a exposição ao fumo passivode quase seis mil pessoas com mais de 60 anos em cidades da China e áreas rurais. Chen relatou em Alzheimer’s & Dementia que participantes com os casos mais severos de demência tinham sido sujeitados a altos níveis de fumo passivo. Chen entrevistou pessoas para avaliar sua exposição, um método padrão de estudo, mas que pode ser pouco confiável porque os participantes podem não se lembrar de sua exposição com precisão.

Um caminho difícil

Pesquisadores reconhecem que é extremamente difícil descobrir ligações entre toxinas ambientais e o Alzheimer. Ao contrário do DDT, a maioria das toxinas não continua no corpo, o que torna difícil para os pesquisadores avaliarem uma vida inteira de exposição. Se uma toxina ambiental realmente se provar um fator de risco, ela será apenas uma parte de uma complexa equação que inclui genética, estilo de vida, e possivelmente outras exposições ambientais que aumentam as chances de desenvolver Alzheimer com a idade.

Pesquisadores do Alzheimer também já se enganaram no passado, quando tentaram ligar poluentes ambientais à doença. Nos anos 70 e 80, a opinião geral era que o alumínio provocava Alzheimer porque cientistas descobriram alumínio coletado em placas amiloides. Mas pesquisadores não aceitam mais essa teoria porque estudos subsequentes mostraram que essa era apenas uma coincidência inócua, que ocorreu devido à atração entre íons de alumínio e placas amiloides.

De acordo com Richardson, as alegações sobre o alumínio “provavelmente envenenaram” as pesquisas seguintes sobre fatores ambientais. Mas esse tipo de pesquisa se torna cada vez mais urgente conforme mais pessoas desenvolvem Alzheimer de início tardio e nenhum tratamento atual existe para prevenir a doença, e sequer para atrasá-la significativamente.

Steven DeKosky, da Escola de Medicina da University of Virginia, afirma que “se conseguíssemos atrasar o início da doença em cinco anos, poderíamos reduzir aproximadamente 50% dos casos. Se pudéssemos atrasar seu início em 10 anos, poderíamos praticamente eliminar o Alzheimer, porque as pessoas chegariam ao fim de suas vidas sem desenvolver a doença”.


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